segunda-feira, 23 de abril de 2018

Lete


Me deparo com o impulso traiçoeiro
O esmero das pernas-aranhas
Que tecem mapas dilúvios
Que naufragam em dia ensolarado
À margem de uma ilha às vistas
Não desço do barco de papel
Me deixo empapar com as correntes
Me torno machê
Matéria prima
Escorrego por entre tuas mãos
Me torno em um outro
Até desaparecer na ilha
Depois do crepúsculo
Me torno o instante ínfimo
Que o dia e a noite se enraízam
e que no amanhã,
O  momento desaparece
Pois as memórias são como as
teias
São concatenadas e milagrosas
Mas quando são incômodas
Limpamos
E cada vez que se auto reconstroem
Nunca mais são as mesmas
Até que um dia
As pernas-aranhas se imobilizam
Cansadas, se sentam
E esperam o dilúvio de mnemosine.




2 comentários:

  1. Gostei, sinto que tem pelo menos uns três temas que eu gostaria muito de ver explorados em poemas próprios.
    Ps: quero roubar o "esmero das pernas aranhas"

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  2. Obrigada. Pode roubar de boas, depois me mostra o resultado ☺☺

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