Palavras antes ditas
por bocas mudas
ressoam estrondosas, claras
fazendo parte do que
constitui um eu
Agora ouvidas, são esquecidas
no momento da enunciação,
jamais sendo moldadas
por padrão circular,
carimbadas desajeitosamente
sobre a superfície plana
A Palavra molda
minha boca sem voz,
transfigurando a imagem
em vísceras, retornando ao
prefácio natimorto depois do
palavreamento sucateado
A percepção formal
intrínseca à um universo individual,
desassocia-se de uma
concretude Verdadeira
A mutação curvilínea e
viciosa atinge a memória da
Palavra, extinção de facetas
que abortam depois do nascimento,
um eu que almejou ter uma voz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário